A psicóloga gaúcha Naira Scavone, atualmente residindo na Austrália, construiu dois métodos para orientar profissionais em transições de alta complexidade. Quando o maior congresso de T&D da América Latina confirmou, nos palcos de São Paulo, exatamente o que ela pratica no consultório há 25 anos, o diálogo ficou inevitável.

Na semana passada, São Paulo reuniu mais de dez mil profissionais de Treinamento e Desenvolvimento no Pro Magno Centro de Eventos para a 41ª edição do CBTD , o Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento, considerado o maior da América Latina. Dezoito palcos rodaram em simultâneo, com 220 atividades distribuídas em três dias de curadoria independente. Entre os congressistas, a psicóloga gaúcha Naira Scavone que ouviu nos painéis muito do que pratica no consultório desde 1999.

Vale ressaltar que Naira é psicóloga clínica com mestrado em Educação e especializações em Terapia Cognitivo-Comportamental, Psicodrama, Mindfulness, Recursos Humanos e Terapia de Casal.
“O mercado mudou, a tecnologia avançou, mas as respostas para a sustentabilidade profissional continuam sendo internas”, diz a psicóloga. Foi essa mesma conclusão que atravessou boa parte das palestras do Congresso, vinda de ângulos diferentes: do antropólogo Michel Alcoforado, que tratou da crise de saúde social na era digital; da jornalista Izabella Camargo, que discutiu a nova NR-1 e o risco do piloto automático nas organizações; do educador financeiro Thiago Godoy, que relacionou emoções e decisões de vida; e do comediante e palestrante Murilo Gun, que encerrou o evento com uma reflexão sobre identidade e estrutura interna.

Naira saiu de São Paulo com suas anotações confirmando exatamente o que sempre pensou sobre o desenvolvimento humano.
“Não há algoritmo capaz de mapear a singularidade da identidade de uma pessoa ou guiar uma transição de carreira consciente.”
Formada nas interseções entre Psicologia Cognitiva, Neuropsicologia e Gestão Estratégica, a psicóloga Naira Scavone, especialista em Transições e Identidade Profissional construiu dois métodos próprios que respondem a uma lacuna específica do mercado: a ausência de um processo para quem precisa tomar decisões profissionais de alto impacto sem perder a coerência com quem é.

O primeiro deles, o MÉTODO DECISÃO E REPOSICIONAMENTO DE CARREIRA, é voltado a líderes e executivos que enfrentam transições de alta complexidade, aquelas em que estão em jogo não apenas o próximo cargo, mas a reputação e a trajetória construída ao longo de anos. O trabalho se desenvolve em sessões semanais de 50 min, conduzido integralmente de forma individual e online. O ponto de partida não é o mercado, é o histórico, o funcionamento cognitivo e os padrões de decisão da pessoa.
“Eu não ajudo alguém a ‘mudar de carreira’. Eu ajudo a pessoa a não se perder de si mesma ao fazer uma transição”, resume Naira.
“A maioria das pessoas que me procura não tem dificuldade em listar opções. Tem dificuldade em criar critérios para escolher entre elas”, diz Naira. Esse critério, no método que ela desenvolveu, não foi construído a partir de tendências de mercado nem de benchmarks setoriais. Ele foi formatado a partir da identidade do profissional, mapeada com instrumentos clínicos e trabalhada ao longo do processo até que a direção faça sentido no nível estrutural e psicológico, não apenas estratégico.

O segundo método, o MAPA DE IDENTIDADE, tem escopo mais amplo. Dirigido a qualquer pessoa que queira clareza para decidir melhor, ele vai além da carreira e alcança relações afetivas, escolhas de estilo de vida e prioridades pessoais. Com sessões semanais de cinquenta minutos, a ferramenta central é o L.A.B.E.L., instrumento de avaliação de personalidade desenvolvido em 1997 no Instituto de Psicologia da Universidade de Lausanne, na Suíça, e utilizado no Brasil desde 2003.
O L.A.B.E.L. não é um teste de comportamento, pois valia personalidade: os traços mais estáveis e naturais de um indivíduo, aqueles que não dependem de esforço consciente para se manifestar. Ao contrário dos instrumentos que classificam pessoas em categorias fixas, o L.A.B.E.L. mede a intensidade de 102 traços em escala, combinando 13 modelos de personalidade e produzindo um relatório que não se repete. Cada resultado é individual, tanto na análise gráfica quanto na interpretação clínica. O instrumento conta ainda com sete escalas de validação interna, que detectam inconsistências e tentativas de controle da autoimagem pelo respondente.
“O desafio não está em decidir o que fazer. Está em compreender a partir de qual estrutura interna se decide.”
O que o CBTD 2026 mostrou, segundo Naira, é que o setor de Treinamento e Desenvolvimento chegou a uma inflexão semelhante à que ela já identificava no consultório: a demanda por competências técnicas não desapareceu, mas deixou de ser suficiente. O que passou a ser determinante, nos palcos do Congresso e na prática clínica, é a capacidade de cada profissional operar a partir de um eixo interno coerente. Reconhecer os próprios padrões de funcionamento, e decidir de um jeito que se sustente no tempo, não apenas no papel.
Naira Scavone (CRP-12/23046) atende integralmente online. Contatos: Instagram @nspsicoterapia e www.nairascavone.com.br






Você precisa fazer login para comentar.