Na época dos nossos pais ou avós ou até mesmo de muitos de nós quando íamos no banco tudo era manual, havia o auxiliar administrativo que buscava nossa conta em papeis, fazia os cálculos para que soubéssemos nosso saldo.

Comíamos muitas vezes em casa, o comércio parava durante o expediente do almoço e em muitos lugares chamavam de “tirar uma sesta”, ou seja, uns 30 min. de descanso depois do almoço.

Conhecíamos os nossos vizinhos, as pessoas se cumprimentavam, as crianças brincavam nas ruas com seus tacos, carrinhos de rolimã, partidas de futebol, isso sem falar nos campeonatos de futebol de botão.

Começamos então a entrar, por volta do final da década de 80, numa revolução tecnológica, trazendo a agilidade, a automação de processos, início dos sistemas computadorizados. Nossa que maravilha!!

A partir do crescimento tecnológico a indústria dos alimentos também dispara trazendo ainda mais produtos prontos transformando nossos hábitos alimentares, porque perdermos tempo na cozinha, não é mesmo?

“Opaaa!”, estava esquecendo das nossas queridas e lindas enciclopédias (risos)

Quantos trabalhos escolares, quanta vontade de ler e ver as figurinhas…, e a internet também chegou transformando tudo isso em um clicar de botões, nem estou falando que agora também conseguimos um trabalho, apresentações e tcc num piscar de olhos. Tudo prontinho.

Tudo se transformou…o que levávamos dias, horas em questão de segundos, fomos agilizando, a “sesta” acabou, retiramos nosso descanso nos cobramos mais, mais ágil, mais rápido, tudo “plug and play”. Não podemos esquecer tudo isso em nome de termos mais tempo.

Faz quanto tempo que você realmente não descansa um pouco na hora do seu almoço, ou consegue almoçar em casa com sua família?

Qual foi a última vez em que preparou um almoço calmamente sem se preocupar com o que vem depois?

Todas essas transformações criaram um imediatismo para tudo, quanta ansiedade e frustração já percebeu? Quando o seu celular demora a conectar na internet, ou a conta que queremos pagar  no aplicativo do banco e ele por algum motivo está fora…quanta irritação, não é mesmo?

Recentemente estava eu em casa cuidando das minhas plantas, pegando as sementes das palmeiras caídas no chão para plantar em um sementário colocando uma a uma nos recipientes e os cobrindo com terra para depois colocá-las para germinar e percebi algo muito curioso. Lembrei que o tempo da natureza continua o mesmo. Temos, ainda, nossas 24 horas por dia.

Não o alteramos, as plantas vão passar pelas mesmas quantidades de dias para se desenvolverem. Precisarão passar pelos dias de sol, chuva, calor e frio.

Quando nos conectamos com a Natureza, digo que isso é se conectar com o divino, nos traz de volta para perceber como a vida realmente é. Seu fluxo, seu processo continua sendo o mesmo, precisamos relembrar da percepção do tempo real de como a vida acontece.

Desconecte-se da Matrix de vez em quando, sinta o tempo real, desacelere do imediatismo cultural, seja único, saia da massa.

Sinta o prazer de descer uma “lomba” de carrinho de rolimã, bata uma bolinha com os amigos, leia um livro, cozinhe, plante muitas árvores, abrace, seja grato, sorria e cumprimente as pessoas na rua, ande descalço reconectando-se ao tempo real e nele você vai perceber como a vida realmente acontece e importa.

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