Criado em 2020 como uma resposta sensível e estratégica ao contexto pós-pandemia, o projeto Hand in Hand da FENDI é uma carta de amor ao artesanato italiano e às mãos que perpetuam técnicas ancestrais com excelência. Muito além de um produto de luxo, a icônica bolsa Baguette se torna, neste projeto, uma tela viva sobre a qual a tradição local é meticulosamente bordada, entalhada, entrelaçada ou incrustada — literalmente, à mão.

A ideia é simples, mas poderosa: selecionar um artesão de destaque em cada região da Itália (e agora do mundo) para reinterpretar a Baguette sob a ótica das técnicas artesanais locais. Não se trata de colaboração decorativa, mas de um verdadeiro mergulho nas raízes culturais de cada lugar, valorizando o saber-fazer como herança, linguagem e identidade.

Em Trapani, por exemplo, na Sicília, a FENDI se uniu ao mestre ourives Platimiro Fiorenza — reconhecido pela UNESCO como Tesouro Humano Vivo — para criar uma Baguette inteiramente incrustada com coral vermelho, utilizando a técnica milenar de retroincasso. A peça, feita como um relicário contemporâneo, incorpora ouro e couro em perfeita harmonia com o espírito siciliano.

Tradição, inovação e emoção

Cada bolsa da coleção Hand in Hand não é apenas feita à mão — ela é feita com história. Na Sardenha, o Laboratorio Piroddu reinterpretou bordados folclóricos centenários, criando uma Baguette em jacquard de seda inglesa, ornamentada com flores vibrantes em fios de seda multicoloridos. Já na região de Marche, a Bottega Intreccio trouxe à vida a técnica renascentista de trançado em salgueiro, couro e corda, recriando o gestual de tecelagem de cestos de pesca ancestrais.

A Maison também lançou mão da ancestral tarsia lignea sorrentina — técnica de marchetaria em madeira — para sua Baguette da Campânia, trabalhada pelo ateliê Stinga Tarsia com madeiras locais como bordô e raiz de urze. Cada peça revela o profundo respeito da FENDI pelas especificidades culturais e pela preservação do que há de mais singular no fazer manual.

Na Escócia, o projeto cruza fronteiras ao abraçar os famosos tartans das Highlands, onde cinco fios amarelos no padrão exclusivo da FENDI homenageiam as cinco irmãs fundadoras da grife. Mais do que moda, o tartan torna-se manifesto visual de herança e reinvenção.

Uma rede de valor humano global

Expandindo-se além da Itália, o Hand in Hand agora percorre territórios e saberes do mundo, formando uma rede sensível de colaboração e resistência cultural. A FENDI reconhece no gesto artesanal — muitas vezes silencioso e invisível — o elo mais forte entre passado e futuro. Cada bolsa é uma ode à memória viva de povos, técnicas e territórios.

O projeto é, acima de tudo, uma afirmação: o luxo do futuro será feito de memória, pertencimento e identidade. Ao integrar técnicas raras à linguagem da alta moda, a FENDI redefine o luxo como experiência estética com propósito.

Hand in Hand é, portanto, mais do que uma coleção: é um museu portátil de savoir-faire, uma galeria viva de mãos que criam o impossível — e um lembrete poderoso de que preservar a beleza feita à mão é um ato de amor pelo mundo que queremos continuar habitando.

Fontes:

www.fendi.com

www.ich.unesco.org

www.altagamma.it

www.nytimes.com

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