Um relatório recente sobre inteligência artificial confirma algo que quase cinco décadas de comunicação já vinham me mostrando.

Um relatório chegou até mim essa semana com um nome que resume bem o momento que vivemos: a economia sem colarinho, um termo que descreve como a tecnologia está redefinindo o valor do trabalho, da mesma forma que a Revolução Industrial criou o operário de fábrica e os computadores pessoais criaram o profissional de escritório. A ideia central é simples e, ao mesmo tempo, incômoda para quem ainda associa trabalho a execução. A inteligência artificial está assumindo a parte tática do que fazemos, tudo aquilo que é repetitivo e operacional. E sobra, no fim das contas, exatamente aquilo que sempre foi mais difícil de formar em alguém: o repertório, a visão ampliada do futuro, a curadoria do conteúdo e a bagagem cultural

Comecei com a máquina de escrever, em 1979. Atravessei a chegada dos computadores pessoais, depois a internet, e agora observo uma terceira virada que redefine o valor do trabalho humano. O relatório The No-Collar Economy, produzido pela Magnific, uma plataforma usada por empresas para gerar imagens e vídeos com inteligência artificial, descreve esse movimento com números que confirmam o que a experiência de quem está na profissão há tempo suficiente já suspeitava.

Um dado me chamou mais atenção que os outros. O número de mulheres que passaram a se identificar como fundadoras no LinkedIn cresceu 58% em um único ano. A tecnologia não cria empreendedoras, ela remove as barreiras de quem já tinha visão e não tinha meios de executá-la sozinha. Antes, era preciso ter equipe e orçamento só para tirar uma ideia do papel. Hoje, uma pessoa com clareza consegue avançar sozinha até onde antes precisava de um time inteiro. Isso muda a pergunta que vale a pena fazer. Não é mais “como usar inteligência artificial?”. É “o que eu faço agora que a execução parou de ser o meu limite?”.

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O exemplo mais concreto do relatório vem do audiovisual. A série House of David, uma produção bíblica de grande escala que estreou na Amazon Prime, foi viabilizada porque o orçamento deixou de ser o teto da ambição criativa. Disseram à equipe que a visão do projeto era financeiramente impossível. Então, eles escolheram inovar em vez de reduzir o tamanho do sonho, usando inteligência artificial para produzir cenas que, pelo método tradicional, custariam muito mais caro. É uma frase que vale para qualquer profissional que hoje sente o custo de produção como uma corda no pescoço.

Nada nisso substitui quem pensa estrategicamente. Pelo contrário, quanto mais barata fica a execução, mais valiosa se torna a direção, a decisão sobre o que vale a pena fazer e para quem. Segundo o relatório, o CEO da Magnific, Joaquin Cuenca, resume a virada assim: “a máquina faz o trabalho pesado, mas a visão é toda sua”.

Para as minhas clientes, mulheres que estão à frente de marcas, de consultórios e de projetos que carregam o próprio nome, essa mudança já não é hipótese, é rotina do dia a dia. A pergunta que faço a cada nova cliente é sempre a mesma: sua comunicação está alinhada com a sua visão?

Fonte: The No-Collar Economy Report, Magnific (2026).

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