Bernardaud e Joana Vasconcelos escrevem juntas uma nova página do diálogo entre a arte e a matéria. Sob o nome Thé Dansant, nasce uma coleção em que a porcelana se transforma em escultura, e cada bule torna-se um símbolo de emoção, memória e beleza.




Tive o privilégio de conhecer de perto essas obras em Paris, a convite da maison Bernardaud. Ver de perto as peças monumentais de Joana Vasconcelos, cobertas por rendas de crochê coloridas e vibrantes, é como entrar num universo suspenso entre tradição e ousadia.




Tudo começa em Limoges, berço do savoir-faire da Bernardaud desde 1863. Ali, os artesãos dominam a arte delicada da porcelana, uma matéria que exige paciência, precisão e fogo. Em Lisboa, no ateliê de Joana Vasconcelos, nascem as rendas e as rosáceas que perpetuam gestos ancestrais portugueses. Juntas, a artista e a maison transformam a matéria em emoção.







O bule, tema recorrente na obra de Joana, torna-se aqui um manifesto poético. Com sessenta centímetros de altura e capaz de conter até setenta litros, ele une força e fragilidade, monumentalidade e leveza. Suas formas arredondadas, cobertas de rosáceas antigas garimpadas em mercados, compõem um trabalho de minúcia e paciência, tão preciso quanto o da alta-costura. Cada detalhe é escolhido e costurado à mão, como um gesto de amor e transmissão do legado.



A obra presta homenagem à história do chá e à figura de uma mulher: a infanta portuguesa Catarina de Bragança, que introduziu o chá na corte inglesa no século XVII. Ao reinventar o bule, Joana Vasconcelos costura tempos e territórios, entre o Oriente e o Ocidente, entre o passado e o presente.

O Thé Dansant também se revela em uma versão mais íntima: um bule de dois litros e uma caneca decorados com formas solares e o icônico coração vermelho que atravessa toda a obra da artista. Aqui, o objeto utilitário se transforma em escultura, e o instante do chá se transforma em um momento de contemplação e encantamento.




No universo de Bernardaud, a porcelana é um espaço de experimentação e reinvenção. Nas mãos de Joana Vasconcelos, ela ganha voz e significado. Juntas, elas recordam que o verdadeiro luxo está no gesto, na herança e na poesia que habita o cotidiano.






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